Outros nós...

Onde está a verdade? Certamente não está na matéria do jornal, nem na retórica do historiador. Não está nas guerras, na igreja, nem no poder do capital e do estado. Não está na fotografia, nem na imagem em movimento da televisão. A verdade é um ponto dentre infinitos pontos. Está na alma do mundo, na alma de cada indivíduo. A verdade está fora e está dentro ao mesmo tempo. Sobre as nossas frontes urbanas o sol. Só a escuridão permite revelar mais que as luzes frias dos escritórios. Segredos, marcas, desejos, verdades atados ao corpo. A imagem, a prismatização dos sentidos poéticos, é a matéria de que corpos e almas – humanidades – são compostos: a cidade, a cultura. Não somos nós, somos outros nós. Memórias. Entre o mundo insano e os abismos interiores, o corpo. É neste terreno fértil e infinito de marcas e histórias, o corpo como produto da luz, habitações das imagens de Goya, há tensões entre o corpo verdadeiro, biológico, vivo, e a cultura. Só o olhar pode permear esse jogo de tensões e percepções. O corpo do outro um objeto dissecado por nós para saber quem somos. Existem outros eus, outros nós à flor da pele.

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