Monday, August 07, 2006

Almas urbanas. Diálogos sob a noite...

ZARAFEL
Mate seu próximo. Como sua carne. Mate seu irmão, seu pai, sua mãe. Injete nas veias sua raiva. Cheire o pó que resta da humanidade. Leia a manchete do jornal. Olhe para os políticos. Olhe seu filho passando fome. Circule pelos corredores dos hospitais lotados. Assista à televisão, assista muito... não saia da frente da tevê. Genocídio. Assassinato. Suicídio. A alma violentada pelo caos urbano procura suas formas de dizer que ainda quer viver.

HAZAEL
Somos apenas corpos perambulando como zumbis, inconscientes de que a cidade à qual realmente pertencemos é invisível. O pensamento, o conhecimento, a alma transitam por ruas, avenidas e becos de uma cidade oculta e labiríntica. Memórias.

ZARAFEL
Memórias. As paredes da cidade contam histórias. Proponho a você, Hazael, andarmos pela cidade e vermos o que encontramos. Tens coragem de participar desse jogo, meu amigo?

HAZAEL
A cidade é repleta de surpresas. Poesia e realidade podem andar juntas. São filhas da mesma mãe...

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